Pular para o conteúdo

Consignado: como calcular a margem de 35% + 5%, a parcela que cabe e a economia da portabilidade

A base da margem consignável, o que cada fatia permite, quanto dá para pegar em cada prazo, o CET do consignado e como calcular a economia ao portar o contrato.

Por Jorge Ramos · atualizado em 25/09/2026 · pilar Crédito e financiamento

Abrir a consignado e margem

O consignado é o crédito mais barato que a maioria das pessoas consegue, porque o desconto vem direto na folha ou no benefício. A conta tem duas partes: quanto cabe na margem e quanto custa. Este guia faz as duas; para o número direto, use a calculadora de consignado.

A margem

A lei limita quanto do seu salário ou benefício pode ir para o consignado:

  • 35% para parcelas de empréstimo e financiamento;
  • 5% exclusivos para o cartão de crédito consignado;
  • mais 5% para aposentados e pensionistas do INSS, para o cartão consignado de benefício.

A base é a remuneração disponível: o bruto menos os descontos obrigatórios (INSS, IR, pensão judicial). Descontos voluntários não reduzem a base. Quem já tem consignado subtrai as parcelas atuais dos 35%; o que sobra é a margem livre.

Com R$ 4.000 líquidos: R$ 1.400 para empréstimo, R$ 200 para o cartão.

Quanto cabe

A margem livre é o teto da parcela. O valor máximo do empréstimo é o valor presente dessa parcela pelo prazo e pela taxa: R$ 1.400 por 48 meses a 1,8% ao mês financiam cerca de R$ 44.700. Prazo maior aumenta o valor que cabe, e o total pago.

Para saber se um empréstimo cabe, calcule a parcela pela Price (com o IOF dentro) e compare: R$ 10.000 em 48 meses a 1,8% dão R$ 323,03 por mês, dentro dos R$ 1.400.

O CET

Mesmo sem tarifas, o consignado tem IOF, que entra no contrato. Por isso o CET fica um pouco acima da taxa: no exemplo, 1,95% ao mês e 26,15% ao ano contra 1,8% de juros. Compare propostas pelo CET.

Para o INSS, o Conselho Nacional de Previdência fixa um teto de juros por resolução, revisto com frequência; para CLT e servidores a taxa vem do convênio do empregador. Sempre pergunte a taxa e o CET antes de assinar.

Portabilidade

Se outro banco oferece taxa menor, você pode levar o contrato. Ele quita o saldo devedor com o banco antigo e você passa a pagar a ele, sem tarifa e sem novo IOF. A conta:

  1. Saldo devedor = valor presente das parcelas restantes pela taxa atual. 36 parcelas de R$ 500 a 2,2% valem R$ 12.344,46 hoje.
  2. Nova parcela = Price desse saldo pela taxa nova, no mesmo prazo. A 1,5%: R$ 446,28.
  3. Economia = (500 − 446,28) × 36 = R$ 1.933,92.

Se o novo banco alongar o prazo, a parcela cai mais, mas o total pago sobe. Compare mantendo o prazo.

Cuidados

  • Seguro prestamista é opcional; tarifa de cadastro não é permitida no consignado.
  • Cartão consignado tem juros de cartão: use a margem de 5% só se souber o custo.
  • Na demissão, o banco pode descontar até 35% das verbas rescisórias; o resto vira boleto.
  • Refinanciar “para liberar troco” reinicia o prazo e o total de juros.

Como conferir

  1. Refaça a margem com o líquido dos descontos obrigatórios do holerite ou do extrato do benefício.
  2. Some as parcelas de consignado que já aparecem e veja o que sobra.
  3. Peça a taxa e o CET; recalcule a parcela pela Price e compare.

Este guia não substitui a leitura do contrato.

Fazer a conta agora

Conteúdo informativo com base na legislação vigente na data de atualização. Não substitui contador ou advogado.