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Renegociação de dívida: como descobrir os juros da proposta e fugir da bola de neve

Como calcular a taxa embutida num acordo parcelado, comparar com a quitação à vista, entender a bola de neve dos juros compostos e usar a repactuação do CDC.

Por Jorge Ramos · atualizado em 28/09/2026 · pilar Crédito e financiamento

Abrir a renegociação de dívida

Toda proposta de renegociação parece boa porque a parcela cabe. A pergunta certa é outra: quanto de juros ela embute? Para responder com os números do seu acordo, use a calculadora de renegociação de dívida.

A bola de neve

Uma dívida parada cresce a juros compostos: cada mês os juros incidem sobre o saldo que já inclui os juros anteriores.

Saldo depois de m meses = dívida × (1 + taxa)^m

A 8% ao mês, R$ 8.000 viram R$ 20.145,36 em um ano e R$ 127.745,37 em três. A dívida dobra em cerca de 9 meses. Por isso esperar quase nunca compensa.

Os juros escondidos na proposta

Uma proposta de entrada mais parcelas é, na prática, um novo empréstimo. A taxa embutida é a que faz as parcelas equivalerem ao que falta da dívida depois da entrada. É a mesma conta do custo efetivo total (CET) de um financiamento.

Com R$ 8.000 de dívida, R$ 500 de entrada e 24 parcelas de R$ 450, você paga R$ 11.300 no total, e a taxa embutida é de 3,15% ao mês. Como a dívida corre a 8%, a renegociação reduz muito o custo.

Mas veja o contrário: 36 parcelas de R$ 520 sobre R$ 8.000 embutem 5,58% ao mês. Se a dívida corria a 4%, esse acordo é mais caro que a dívida original. Ele só baixa a parcela, alongando o prazo.

À vista ou parcelado?

PropostaTotalCusto
À vista por R$ 3.200R$ 3.200R$ 4.800 de desconto
R$ 500 + 24 × R$ 450R$ 11.3003,15% ao mês

Se o dinheiro existe e não é a sua única reserva, à vista com desconto quase sempre ganha. Feirões de renegociação e escritórios de cobrança costumam oferecer desconto para quitação; peça sempre a proposta à vista.

Antes de aceitar

  • A parcela cabe com folga? Acordo quebrado volta com multa de até 2% da prestação (CDC, art. 52, § 1º), juros de mora e, em geral, perda do desconto.
  • A taxa embutida é menor que a da dívida? Se não for, negocie.
  • Você tem várias dívidas? Quite primeiro as de juros mais altos, como cartão e cheque especial.

Quando nenhuma proposta cabe

O CDC protege o consumidor superendividado: quem não consegue pagar as dívidas de consumo sem comprometer o mínimo existencial (art. 54-A). Ele pode pedir ao juiz a repactuação, com uma audiência reunindo todos os credores e um plano de pagamento de até 5 anos (art. 104-A). A Defensoria Pública e o Procon orientam.

A calculadora não inclui multa e juros de mora futuros, IOF nem honorários de cobrança, então a bola de neve real costuma ser maior.

Fazer a conta agora

Conteúdo informativo com base na legislação vigente na data de atualização. Não substitui contador ou advogado.